Faltam 30 minutos para tocar. Tenho meia hora para aqui estar, não sei que fazer, não sei como aguentar todo esse tempo aqui sentada, na mesma cadeira sem sequer me poder levantar... São 30 minutos os que ainda faltam, 30 minutos esses nos quais não posso fazer mais nada. Não posso conversar, não me posso virar, não posso usar nada além do que está nesta mesa. Nada de música, nada de mensagens, nada de telemóveis, nem sequer posso reclamar. As pessoas não falam, as pessoas não riem, as pessoas estão todas fechadas, como se fosse um castigo. Uma ligeira luz solar, três portas fechadas, duas janelas abertas, abertas trazendo o sol. este sol é o único que ilumina, o único que transmite uma pequena alegria. Números e letras que tanto intristecem, algarismos juntos e separados que quebram pequenas esperanças. A esperança de sair, a esperança de voltar a sorrir, os números e simbolos numa página, página de tristeza, página de sabedoria ignorante que nada me dizes, nem a luz nem o sonho, nem a esperança de a porta abrir e de um grito ouvir. Aprender novamente a sorrir com esta folha na mão, deixar de chorar nesta sala sombria onde tudo se vê e nada se faz. A janela a meu lado aberta mostra a rua, as árvores, as montanhas, os carros, o céu, as casas, a água, o enorme sol, pessoas a andar. Mas para que serve ver todo o ar se lá não posso respirar?
Faltam 20 minutos para tocar, num sítio onde as dores não contam, onde as vozes são substituidas por silêncio, onde tossir e espirrar não é permitido, onde ter um lenço usado é a maior posse que alguém pode ter. As roupas de marca não contam, as de feira também não, aqui ninguém olha a ninguém, aqui não é permitido a troca de olhares, nem os olhares nem os gestos, nem um calmante sorriso individual. Aqui só há tristeza, aqui só há páginas incompreendidas e mandados de silêncio. Aqui ninguém manda, aqui todos estão a mais, aqui ninguém é feliz, aqui não se pode pensar, aqui não se pode chatear nem alegrar, aqui é a tortura psicológica, onde não há que comer nem que beber, aqui só há tristeza, aqui só há bocadinhos de pessoas, aqui ninguém o é por inteiro...
Faltam 10 minutos para sair, a tortura permanece, a tortura do tempo, os ponteiros não se movem, os segundos não passam, as vozesnão são ouvidas, os ouvidos não nos servem. O lápis escreve numa folha reciclada. Sabe-se lá bem de onde esta folha já esteve, onde estava guardada, de quem foi antes da reciclagem. sabe-se lá bem se a vida dela sempre foi de prisioneira, como eu tenho sido nesta hora e meia. Sabe-se lá bem onde estivemos e quem fomos, aqui ninguém lembra nada, nem esquece, as é que não permanecem.
Faltam menos de 5 minutos para tocar, o desejo de sair aumenta, o sentimento de liberdade aproxima-se. Somos 26 pessoas numa sala e muitas bo corredor, tenho aqui todas as minhas páginas e folhas. Desfolheio-as ao sabor da minha vontade. Nunca mais é hora de sair deste pânico, finalmente se aproxima o tempo, desfolho novamente as páginas, até que encontro a última página, o fim estava escrito e a porta abriu.
Categories:
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
O momento está muito bem descrito, com as palavras certas.
Gostei mesmo :)
ola namorada!!!!
gostei do teu momento... Da tua libertaçao do momento secante através da escrita!!!
ela pode ser mt nossa amiga, nem que seja para nos ajudar a passar melhor o tempo!
lol
Mas sim, gostei mt do texto ate pk ta mt bem expeço!
sinsinhora miuda, continua!
Essa aula de matemática so foi tao secante pq nao tavas ao meu lado minha Dii* :P
Qero ler mais textos teus!
Amo-te de verdade <3